sexta-feira, 28 de setembro de 2012


Capítulo 1____________ Inicio

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(Visual de Demi na escola -> aqui)
Escola: Um inferno particular. Pura ilusão destes turistas malucos que pensam e idealizam que essa cidade seja o melhor lugar de mundo. Sentia como se estivesse enjaulada dentro daquela maldita sala de aula, e meus pés amarrados com cordas do mais forte cinzal na carteira. Os ponteiros do relógio arrastavam-se na menor velocidade possível, o sotaque carregado do meu professor de álgebra começava a me irritar profundamente e deixar a minha respiração carregada de cansaço. 10 minutos. 10 longos minutos. Era apenas o tempo que faltava para que o sino tocasse e os prisioneiros sentissem-se soltos. A minha paciência estava esgotando e vontade de estar lá nunca existiu. […] Finalmente o venerado alarme foi acionado pelo Diretor Arthur, fazendo com que os alunos da instituição saíssem porta a fora feito um rebanho de porcos loucos. Andei em passos lentos até a porta principal causando empurrões e trancando a passagem de muitos. Não me despus a irritar-me - Mas se tivesse o feito, uma tremenda confusão seria armada. Sou assim mesmo, e pouco me importo. As únicas pessoas que eu me vejo disposta a agradar são minha mãe e meu irmão - não, eu não me vejo disposta em agradar meu pai, muito menos ligo para a opinião do mesmo.

Você deve estar se perguntando o porquê disso tudo. A questão é que não existe só um ‘por que’, são vários porquês. O fato de ter traído a minha mãe é o mais repugnante de todos e que me deixa com mais nojo da pessoa que ele é e do ‘caráter’ que ele obtém E os outros são os mais óbvios possíveis. Nunca ter mantido contato - nem comigo, nem com meu irmão -, e nem estar presente nas nossas vidas - em geral, por nunca ter exercido o papel de pai que cabia a ele executar. Já minha mãe, pobre coitada, em instantes se viu com dois filhos no colo, lágrimas a serem derramadas, e problemas quilométricos a serem resolvidos. Não queria estar na pele dela. E não pensem que vai só até aí, isso são só algumas das situações que nos encontramos nesses últimos anos. Nesses últimos 12 anos. […]


Entrei no ônibus que me transportava até a minha casa. Foi pouco o tempo que passei dentro daquele ambiente para que logo pudesse ver o apartamento antigo em tons de pastel - o mesmo que eu costumava chamar de lar. Com muito esforço, tirei a chave de dentro da minha bolsa surrada e a pus dentro da fechadura. Com um círculo formado, fiz força para frente e tive a porta aberta. Subi a escada pulando degraus até chegar ao terceiro andar, aonde se encontrava a minha casa. A porta de entrada encontrava-se entreaberta, andei alguns passos e estranhei o silêncio daquele lugar. Chamei pela a minha mãe, ninguém manifestou-se - na verdade não havia ninguém por perto. Encontrei a porta do quarto da minha mãe encostada, abri a porta levemente e andei mais alguns passos. Vi roupas ao chão, coisas quebradas, e sem nem mais e nem menos encontrei a única mulher que importava-se comigo ao chão. Logo ajoelhei-me ao seu corpo e a sacudi, ela não reagia e meus olhos começaram a encher de lágrimas, eu gritava e ninguém me ouvia. Meu desespero de querê-la de volta tornava-se mais e mais, mas nenhuma reação eu vi. Depois de um longo tempo chorando diante de seu corpo frio e pálido, percebi que havia uma carta em cima de lençóis rasgados que localizavam-se na cama. Peguei-a e a comecei a ler.

”Filha, meu anjo. O obsecro perdão e que fique claro até o último dias de sua vida que você foi o bem mais precioso e a única razão de viver que não deslizaram pelos meus dedos. Você sempre foi ciente de todos os problemas que eu enfrentava - ou ao menos tentava - entre todos esses doze anos. Eu tive uma montanha-russa emocional e costumava ser uma pessoa com séries depressivas. Você sabe disso melhor que ninguém. Eu simplesmente não aguentava mais. Eu tinha que por um ponto final em tudo isso. Eu sei, Demetria… Esse não foi o melhor modo de resolver as coisas, mas eu acredito na maturidade de você e na criação que eu a dei. Você tem um futuro lindo pela frente, e eu vou estar sempre de cima a acompanhando e a enviando força. Você tem tudo para encarar o mundo de frente. Acredito em você. OBS: Você não têm familiares vivos. Como você continua no colegial e eu desejaria que você investisse nos estudos para terem um futuro mais brilhante ainda, o meu último pedido é que você vá morar com o seu pai na França, Paris. Eu sei, eu sei… Eu posso imaginar a crise de surtos que você terá após passar os olhos por essa frase, mas tentem me entender. Ele é o único que pode dar a você uma vida estabilizada. Por favor, eu só lhe peço isso. Com amor, eterna mãe e admiradora, Stella Stanford.” 

Dobrei a carta e a coloquei em cima do bidê. - Mãe, acorda mãe. - gritava e chorava desesperadamente Sacudia-a descontroladamente, ficando sem voz de tanto gritar, e quando eu vi que não havia mais jeito de fazê-la voltar, silenciei-me. Por que cacete ela se foi? Com essa explicação medilcre não me convencia de nada, cada vez mais eu tinha ódio do homem que os outros diziam ser meu pai. - pai o caralho, progenitor. Ele sim deveria ir, ir pro inferno invés de ter colocado minha mãe ao ponto de suicidar-se, pobre mulher, pobre esposa que foi, pobre mãe, pobre minha mãe. Tão frágil era e tão cruel ao ponto de acabar com sua vida. Senti-me inocente, frágil por um instante, e logo tentei voltar a garota que era. 

Saí porta a fora, fui andar um pouco pela aquela rua que se encontrava meio vazia. Não havia muitos carros, e nem pessoas vagando por ali. Tirei um cigarro do maço e pus a minha mão contra o vento, fazendo um risco no isqueiro e acendendo o fogo. Voltei o cigarro a minha boca e dei duas tragadas, logo soltando a fumaça. Me senti em um estado de perdição. A cada minuto que passa eu me sinto com vontade mais de sumir, mas eu tenho consciência de que não é a coisa certa a se fazer. Será mesmo que o certo é ir pra França? Não queria voltar mais a aquele lugar, aquilo me dá nojo e me traz lembranças ruins. Eu me vejo em uma situação de escolhas e alternativas quilométricas - eu não estava disposta a entrar numa fase revolucionária na minha vida. O cigarro foi apagado, assim eu fui jogar a bituca no asfalto molhado pela chuva. Via poucas pessoas passando na rua, umas rindo e outras com cara de cansadas. Tão inocentes e ao mesmo tempo ridículas via essas crianças idiotas correndo que nem cachorros correm atrás de um osso. Que angústia ter que caminhar nesse local, cacete. Maior angústia mesmo, é pisar em terras francesas. Voltei para casa, e ao entrar de novo no local aonde minha mãe se despediu da vida me trouxe uma extrema quantidade de agunia. 

[...]
(Visual de Demetria quando ela chega em Paris ->aqui)

No aeroporto, caminhava vagarosamente, e no embarque senti que estava pronta pra enfrentar tudo que viesse […] Cheguei, estou aqui e nervosa por ter que ver meu pai depois de 14 anos. Ele deve ter virado um velho vagabundo - nunca fez nada que presta mesmo. O taxista tirou nossas malas de seu possante imundo e paguei-o. Toquei duas vezes na campainha. Eu reparei que era uma casa velha, e mal cuidada. De repente ao abri a porta, deparei-me com um estranho, quem seria? Meu pai? Não… Acho que não.
 - Olá, posso ajudá-la? 
- Sim, estou na espera de Robert Turner. – disse
 - Sou eu, quem é você? - perguntou ele.
 - Sou filha da aquela que você abandonou, sabe?




3 comentários:

@naluisalmeida disse...

Nooooooooooooooooooooooossa! Você escreve muito bem. Posta o logo o próximo capitulo, devorei esse primeiro tão rápido que nem me dei conta que acabou, AHAH.

Renata Santos disse...

AMEI!!! e ainda só tem um capitulo, vc escreve lindamente continue princesa. Bjs :)

Renata disse...

Obrigada a todos, vou postar sim e ainda hoje haha

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